História do circuito de Vila Real

O circuito de Vila Real é um dos circuitos urbanos mais antigos do mundo. A história do circuito de Vila Real remonta ao ano de 1931, quando a paixão pelos carros de Aureliano Barrigas impulsionou a criação de uma prova de velocidade integrada nas festas da cidade.

história do circuito de vila Real

//Mapa da Corrida 1931 Coleção Adelino Dinis

Com uma extensão 7.150 Km, e 20 voltas, os 10 pilotos presentes na primeira prova vilarealense, percorreriam um total de quase 150 km. Esta primeira prova no Circuito de Vila Real seria ganha por Gaspar Gameiro.

Já antes da criação do Circuito de Vila Real, as gentes de Trás os Montes mostravam muito entusiasmo pelos motores. Estes entusiamos e paixão pelas corridas e pelos motores continuou presente com o passar dos anos, com os habitantes da cidade a reclamarem pelas corridas, sempre que estas não ocorriam.

O Circuito de Vila Real continuaria até 1939, ano em que foi interrompida devido ao começo da IIª Grande Guerra. Apenas 10 anos depois Vila Real voltaria a receber uma prova de automobilismo. Nova interrupção de 1953 a 1958 para obras de reestruturação do circuito, com a implementação de um novo traçado, mais reduzido. Foi sol de pouca dura, pois apenas nesse ano se realizaram as provas, ocorrendo nova interrupção até 1966.

 

Nesse ano (1966) é criada a “Comissão Permanente do Circuito de Vila Real”, que ficou encarregue de organizar a prova, o que fez de 66 a 73. Foi a época de ouro do circuito, com grandes nomes e grandes máquinas a percorrerem o traçado vilarealense, levando a que fosse considerado o melhor circuito português e um dos melhores da Europa, aclamado por pilotos, mecânicos e fãs. Várias provas ficaram para a história do desporto motorizado nacional como as 6H de Vila Real.

cartaz do circuito de vila real

cartaz do circuito de vila real

Vila Real era a capital do desporto automóvel de Portugal.

As edições de 70, 71 e 72 foram um sucesso, mas a crise petrolífera e a revolução de Abril levaram a nova interrupção em 73, que apenas terminaria em 79, quando voltaram a realizar corridas, embora não com a afluência de outros anos. As edições de 80 e 81 verificaram um interesse cada vez maior em volta das provas em Vila Real e em 82, com a primeira prova do campeonato nacional de velocidade, o circuito voltava a respirar as emoções vividas nos anos 60. Até 1991 as corridas mantiveram-se, até que nesse fatídico ano, um acidente grave levou à morte de 4 espectadores para além feridos, o que levou à suspensão das corridas.

 

Foi em 2007 que as corridas regressaram à capital transmontana, com a organização do 40º Circuito de Vila Real, que tinha como grande objectivo homenagear o campeão Manuel Fernandes falecido em 2005. Em 2008 as corridas voltaram a Vila Real integradas no programa das festas da cidade e continuaram em 2009 e 2010. Na última edição notava-se um claro desinvestimento por parte dos pilotos devido às dificuldades financeiras que o desporto automóvel sofria.

Cartaz do 40º Circuito de Vila Real 2007

Cartaz do 40º Circuito de Vila Real 2007

Finalmente em 2014, o circuito vilarealense voltou, e com um fôlego renovado. A pista está a ser modificada e a vontade de tornar o circuito internacional não é só conversa pois está a avançar a bom ritmo e estão reunidas as vontades para que Vila Real possa reviver em breve os glorioso anos 60, em que os pilotos acabavam Le Mans e vinham directamente para as encostas do Marão para correr no magnífico traçado.

São tantas histórias e tantos nomes que passaram por Vila Real: “Nicha” Cabral, Ronnie Peterson, Giannone, David Piper, Stirling Moss MANUEL FERNANDES, Pêquêpê, Ni Amorim, Mário Silva, António Rodrigues, António Barros, Jorge Petiz, Joaquim Moutinho, António Carreira, Fernando Peres, Sidónio Cabanelas e os mais recentes César Campaniço, Joaquim Jorge e Pedro Salvador, o actual detentor do record do traçado e nas motos Angel Nieto, Carl Fogarty, Joey Dunlop. Uma lista (incompleta) de nomes nacionais e internacionais que brilharam em Trás os Montes. Lutas fenomenais, máquinas lindíssimas. Um historial que dificilmente se encontra noutro circuito do país.

Claro que o circuito teve as suas páginas negras, que também ficaram marcadas, mas sobre essas apenas recordamos que ela existem mas não nos alargaremos, pois afinal o que interessa é mostrar que Vila Real tem história, tem tradição e tem a paixão necessária para se tornar de novo numa referência a nível nacional e internacional.

É verdade que o panorama nacional ainda não é o melhor e ainda há muito trabalho para fazer, mas temos sinais animadores. O campeonato de velocidade está de volta em força depois de uns anos de menor fulgor e os pilotos responderam em grande número à chamada de Vila Real. São cerca de 200 pilotos que estarão presentes no próximo fim-de-semana e que irão percorrer os 4.6 Km do novo traçado que mantém a espectacular recta de Mateus, uma das rectas mais lindas do calendário nacional e quem sabe internacional.

Há muita coisa que mudou desde a primeira corrida até aos dias de hoje. Mas há algo que se mantém inalterado… a paixão pelo desporto automóvel e pela competição. É algo que está na matriz de Vila Real. Algo que teima em se esconder ciclicamente e até a ser esquecido de vez em quando, mas que no fundo está enraizado nas pessoas que querem as corridas. E que vibram com elas. Que este novo fôlego possa trazer estabilidade e que o Circuito de Vila Real se possa manter, crescer e voltar a ser um dos melhores.

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