Entrevista a Rafael Lobato

VRR ( Vila Real Racing) – Como correu a gala dos campeões?

RL (Rafael Lobato) – Correu muito bem. Foi a minha primeira participação desde que esta nova federação tomou posse e penso que é uma ideia muito interessante ter os carros todos expostos. É bom para os pilotos poderem ver e comparar as suas máquinas e pelo convívio. É a oportunidade de falar e conhecer gente que só conseguimos ver pelas redes sociais, pela tv ou apenas nas pistas.

VRR – Como foi finalmente receber o prémio que coroa uma excelente época?

RL – É muito bom. É especial receber um prémio na frente de tanta gente e poder partilhar o palco com o meu colega de equipa, sendo o culminar de todo o trabalho feito durante o ano.

 

VRR – Como foi receber o prémio das mãos de António Félix da Costa e de Álvaro Parente?

RL – Foi bom por estar com pessoas que normalmente só seguimos pela televisão. Estar com eles no palco e de seguida privar com eles foi excelente. É uma experiencia diferente. Tive oportunidade de falar com o António Félix da Costa e com o seu irmão Duarte e no fundo é uma motivação extra para mim estar com pessoas que lado a lado parecem iguais a mim, mas no mundo automobilístico são de top.

VRR -Que avaliação fazes da tua época de 2014?

RL – Uma época 5 estrelas. Foi uma época de sonho, no início do ano não estávamos à espera de nada disto. A ideia era rodar com o carro, adaptar-me a ele, conhecer os circuitos. No fundo começar a aprender e mais para o final da época, então começar a comparar os meus tempos com o do meu colega. Mas logo desde a primeira prova as coisas correram bem. O teste que fizemos no Algarve ajudou muito e na primeira prova vimos que tanto ao nível do andamento, como do desgaste de pneus e do consumo de combustível estávamos muito iguais. De realçar também o trabalho espectacular da equipa durante todo o ano. Nem um fusível se fundiu. O carro esteve sempre fantástico. Tanto ao nível das corridas como da preparação foi perfeito e agradeço à equipa por isso.

VRR – Deve ter sido muito bom para ti ver que vindo de uma categoria completamente diferente conseguir logo, desde inicio, fazer tempos muito semelhantes ao do teu colega de equipa, que já tinha mais experiencia.

RL – O Radical é um kart em ponto grande e como eu já tinha experiencia dos Karts a adaptação não foi muito difícil. A partir daí a nossa “brincadeira” era eu dar o meu melhor, fazer os tempos do Armando e ele tentava fazer melhor que eu. Mas os tempos sempre foram muito iguais durante toda a época.

VRR – Qual foi o ponto mais alto do ano para ti?

RL – Vila Real. Sem dúvida que foi o ponto mais alto. A primeira corrida, à chuva, o que é algo de que gosto, perante tanto público, a correr em casa foi uma sensação fantástica. A juntar a isso tudo o 3º lugar na geral. Foi sem dúvida o ponto mais alto do ano.

Rafael Lobato no Circuito de Vila Real 2014

Rafael Lobato no Circuito de Vila Real 2014

VRR – Tens a noção que és um piloto cada vez mais apreciado, principalmente em Vila Real, não só por seres de cá mas também pela grande qualidade que apresentas? Isso é um facto de motivação?

RL – Sim tenho essa noção. Desde que as pessoas me passaram a conhecer um pouco melhor e acompanhar a minha carreira tenho tido muito apoio e isso é muito importante para mim. Tenho pessoas que nas redes sociais vão mandando muitas mensagens de apoio e isso motiva muito.

VRR – Uma pessoa que conhecemos e que nos tem ajudado muito e que te conhece também, é o Pedro Lima da Zoom Motorsport, quando ele nos falou de ti disse que era s um autêntico computador e que os teus tempos eram muito constantes. Essa é uma das tuas grandes características?

RL – Isso já vem desde os Karts em Baltar onde me chamavam de “reloginho”. Já nessa altura fazia tempos muito iguais. Até o meu pai a certa altura mandava-me parar e dizia-me: “inventa alguma coisa, tenta travar mais tarde ou mudar de trajectória porque os tempos são sempre iguais” (risos).

VRR – Manter essa regularidade deve ser muito exigente ao nível da concentração.

RL – Foi uma das grandes diferenças que notei em relação ao rallicross. Aí as provas são muito curtas e muito intensas. São no máximo 5 minutos onde damos tudo. Agora as provas são de 50 minutos o que dá mais ou menos 25 minutos para cada piloto e de início senti que de facto exigia mais ao nível da concentração, mas foi algo a que me adaptei sem problemas. A experiência nos simuladores, onde podem haver turnos de algumas horas ajudou também a habituar-me e a estar preparado.

VRR – Quanto a momentos menos bons?

RL – Não houve. Correu tudo muito bem.

VRR – A tua relação com o teu colega de equipa foi boa?

RL – Sim, damo-nos muito bem e mantemos na mesma o contacto fora das pistas. Foi uma excelente parceria. Espero ter o Armando como companheiro durante muito tempo. Formamos uma dupla muito equilibrada, rápida e consistente dentro de pista e fora delas entendemo-nos muito bem.

VRR – Qual foi a corrida mais exigente?

RL – Penso que tive duas provas que realmente exigiram um pouco mais. Vila Real, por ser um traçado citadino, algo a que não estava habituada e no Algarve, aquando da vinda do Blancpain, em que estava muito calor, mesmo sendo o carro aberto. Foram de facto as duas provas que mais exigiram de mim.

rafael lobato no circuito de vila real 2014

rafael lobato no circuito de vila real 2014

 

VRR – O que achas da vinda do WTCC para Vila Real?

RL – É uma óptima notícia, tanto ao nível do automobilismo nacional como para a região. O nome de Vila Real está a ser cada vez mais falado e espero sinceramente que haja ainda mais gente do que houve nas corridas do ano passado. Espero que seja um fim-de-semana ainda melhor do que tive no ano passado.

 

tiago monteiro – wtcc 2015

 

 

Há algum piloto do WTCC que gostavas de conhecer?

Gostava de estar com o Tiago Monteiro como é óbvio. Já estive com ele, mas na altura provavelmente não sabia quem eu era, gostava de falar mais um pouco com ele e gostava de falar também com o Tom Coronel que parece ser bastante divertido pelo que se vê na tv.

VRR – Houve algum piloto que seguiste mais de perto e que achas que esteve melhor?

RL – Talvez o Filipe Albuquerque, também por ter feito Le Mans, o que é o meu grande sonho. Penso que foi o piloto que para mim brilhou um pouco mais, mas todos os outros também mereceriam destaque.

VRR – Planos para 2015? Estão definidos?

RL – Não temos nada definidos. Estamos à espera de várias respostas, mas neste momento ainda não há nada definido. O objectivo é subir e passar para a categoria CN. Faltam apenas 2 meses, mas neste momento ainda não temos nada de concreto.

VRR – Mas estás optimista? Vamos ter o Rafael Lobato nas pistas em 2015?

RL – Sim estou optimista. Se não conseguir para a época toda espero pelo menos fazer Vila Real.

VRR – Planos a longo prazo? Tens?

RL – Neste momento o único plano é fazer o campeonato nacional este ano. Para 2016 não há nada definido. A ideia é ir passo a passo e ver o que se pode fazer, mediante os apoios e as categorias que me possam fazer evoluir mais. Arranjar o orçamento é sempre o grande problema e estamos sempre dependentes disso.

VRR – Estarias interessado em passar para os turismos?

RL – Inicialmente não tinha nenhuma preferência. Gostava tanto dos turismos como dos sport protótipos. Mas em Portugal estamos restringidos aos campeonatos existentes e para 2015 o plano está traçado para tentar os CN. Os TC3 estiveram em cima da mesa no inverno e era uma das possibilidades, isto se viessem para cá. O plano principal passava sempre pelos Sport Protótipos, mas de facto os turismos foram ponderados.

VRR – Sentes saudades de pilotar, nas paragens?

VRR – Sim, muitas. É muito tempo sem pilotar, mas tenho de continuar a treinar durante o inverno para estar preparado para o regresso. Mas sim, sinto falta de pilotar.

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