Vila Real, motos, e curvar à John Grace!

Quando eu era miúdo, nasci em 1962, dizia-se, em Vila Real, para classificar os motociclistas mais habilidosos ou temerários: “curvar à John Grace”.
Procurei obter alguma informação acerca deste personagem e o que consegui é escasso, mas aí vai:
Natural de Gibraltar, venceu por cinco vezes em Vila Real (todas as corridas internacionais disputadas entre 1952 e 1958). Dono de imponente figura e grande simpatia, viveu em jovem na Ilha da Madeira, foi piloto profissional, tendo iniciado a sua carreira numa prova em Madrid (onde caiu três vezes no mesmo local), assim ganhou a alcunha de Michelin por parecer de borracha e não se magoar seriamente. Participou esporadicamente, mas com alguma regularidade, no Campeonato do Mundo de Velocidade entre 1951 e 1956 nas classes 350cc e 500cc, não tem resultados de grande relevo. Os seus melhores registos no campeonato são o 14º posto nas 350 cc em 1954 e o 36º nas 500cc em 1953. Em corrida, nas 500cc, os seus melhores resultados foram 10ºs lugares no GP de Espanha em 1952 e no GP de Inglaterra/Ilha de Man em 1953. Durante toda a sua carreira tripulou motos NORTON.
Curiosamente, devido às suas boas relações com espanhóis (normalmente competia em Espanha), quando Francesc Xavier Bultó, – avô de Sete Gibernau – de diminutivo Paco, deixou a MONTESA, empresa que havia ajudado a criar, para fundar uma nova marca, foi Grace que propôs o nome BULTACO (contracção de Bultó e Paco), tendo sido o primeiro gerente de vendas da marca.
Vila Real, motos, e curvar à John Grace!
Em 1952, disputou-se a primeira prova internacional de motociclismo no Circuito Internacional de Vila Real. Nas 350cc, Grace fez o melhor tempo dos treinos e venceu destacadamente a corrida. Nas 500cc, repetiu o melhor tempo dos treinos, no entanto, na corrida atrasou-se logo na primeira volta, vendo-se forçado a parar numa oficina de beira de estrada onde pediu uma chave para apertar o eixo traseiro, com esta operação perdeu muitas posições, sem baixar os braços iniciou uma grande recuperação (a prova disputou-se em 18 voltas) que o levaria à vitória.
Em 1953, disputou-se a segunda edição internacional. Mais uma vez o domínio de Grace foi avassalador tendo feito o melhor tempo dos treinos e vencido a corrida das 350cc. Nas 500cc fez o segundo tempo dos treinos (atrás de António Pinto em NORTON), na corrida assumiu a liderança à terceira volta e ganhou.
Em 1958, aconteceu a terceira edição deste evento internacional. Disputou-se apenas uma corrida que agregava as três classes presentes: 250cc, Sport e 500cc. Grace foi segundo nos treinos, atrás de Albino Pinto em Norton, na corrida foi mais uma vez o vencedor.

Artigo da autoria de Luis Cardoso.

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